Mais de 20 entidades ligadas ao direito tributário e à advocacia divulgaram uma carta aberta pedindo o adiamento para 2028 da implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista para janeiro de 2027. A CBS vai substituir o PIS e a Cofins. Para as organizações, o ano que vem deveria servir a testes, homologações e ajustes operacionais.
O que as entidades alegam
Segundo a carta, o calendário atual pode prejudicar a preparação dos contribuintes e gerar insegurança jurídica em vários setores. Os principais pontos levantados são:
- Alíquota indefinida: o percentual definitivo da CBS para 2027 deve ser divulgado até 15 de dezembro deste ano. Isso deixa pouco mais de duas semanas para avaliar impactos, revisar preços, renegociar contratos e adaptar processos.
- Alíquota de referência: em outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo de 11,3% para a CBS em 2027. O valor ficou acima das estimativas anteriores, de 9,2% a 9,5%, e ainda depende de análise do Senado Federal.
- Sistema de apuração assistida: a ferramenta, que ajudará no cálculo da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), ainda não permitiria todos os testes necessários, segundo as entidades.
- Atrasos normativos: a demora do poder público em definir parâmetros e disponibilizar instrumentos técnicos reduz o prazo de adaptação. Isso pode causar inconsistências, erros de apuração e descumprimento involuntário de obrigações.
Risco de conflitos judiciais
A CBS é de competência da União, e o IBS será de responsabilidade compartilhada entre estados e municípios. Por isso, disputas sobre a CBS serão analisadas pela Justiça Federal, e as do IBS, pela Justiça estadual.
As entidades temem interpretações diferentes para operações semelhantes e decisões contraditórias. Defendem, por isso, instrumentos processuais que garantam mais uniformidade.
O que muda com a reforma
Aprovada em 2023, a Reforma Tributária do Consumo busca simplificar os tributos sobre bens e serviços, com um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual.
- CBS, de competência federal, no lugar do PIS e da Cofins.
- IBS, que substituirá gradualmente o ICMS (estados) e o ISS (municípios).
- Imposto Seletivo, sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Em 2026, o período de testes tem alíquotas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS. A cobrança efetiva da CBS está prevista a partir de 2027, com a extinção do PIS e da Cofins. A transição dos tributos estaduais e municipais ocorre entre 2029 e 2032, e o novo sistema deve funcionar integralmente em 2033.
O adiamento pedido exigiria mudança no cronograma previsto na legislação. A data de início da cobrança não pode ser alterada por decisão administrativa da Receita Federal.
Quem assina a carta
A mobilização reúne associações de advogados, institutos de estudos tributários e entidades de direito fiscal de diferentes regiões. Entre as signatárias estão o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA), a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), a Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF), a Associação dos Conselheiros Representantes dos Contribuintes no Carf (Aconcarf), o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), o Instituto dos Advogados do Rio Grande do Sul (IARGS), a OAB-DF, o Instituto de Estudos Tributários (IET), o Movimento de Defesa da Advocacia (MDA) e a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L).
O que fazer agora
- Acompanhar a definição da alíquota da CBS até 15 de dezembro.
- Simular o impacto em preços, margens e contratos.
- Revisar sistemas e cadastros fiscais para a nova apuração.
- Manter o planejamento para 2027 enquanto não houver mudança legal.
Como a GTAWebTax pode ajudar
A GTAWebTax oferece ferramentas de Simulação da Reforma e de Precificação, além de consultoria, para apoiar sua empresa a medir impactos e se organizar para a transição da CBS.
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